ARTISTAS LOCAIS:
O trabalho proposto para o período da residência busca discutir as relações entre o território “natural” e o espaço urbano construído, particularmente a partir da relação entre a bacia hidrográfica e a rede viária em Belo Horizonte. Neste sentido, pretende-se realizar um corpo de trabalho, com desenhos, captação de áudio, fotografias, vídeos e/ou intervenções urbanas, com o objetivo de propor uma reflexão a respeito da ocupação do espaço urbano e seus impactos sócio-ambientais.
Mais especificamente, pretende-se inicialmente desenvolver uma série de desenhos, motivados pelos mapas hidrográficos e viários de Belo Horizonte, como processo de elaboração do conhecimento e de reflexão sobre a relação entre rios e ruas. O ponto central do projeto pode ser visto como um desdobramento desta produção em outra escala, através de intervenções urbanas, com o objetivo de “revelar” os cursos de água em vários locais da cidade. Neste sentido, concebe-se a intervenção como desenho, em escala ampliada, no espaço urbano.
A ideia motriz do projeto é a realização de séries fotográficas na região do Jardim Canadá registrando ações criadas a partir de imagens pré-elaboradas. Serão escavadas na paisagem (lugares determinados e pré-autorizados) cavas de diversos tamanhos sempre com formas regulares e geométricas. Formas com a mesma dimensão e cor dos materiais retirados serão criadas a fim de mimetizar as contra-formas das cavas. Estas, por sua vez, serão erguidas do solo por meio de diversos tipos de balões de gás hélio. Pretende-se com essa operação criar uma metáfora da transformação do solo/ambiente/paisagem, uma vez que toda a estrutura ficará suspensa. A questão central da pesquisa concentra-se na especulação visual da região, detentora de uma grande riqueza mineral, que vem sendo consumida por diversas mineradoras durante várias décadas. Posteriormente, tratamentos digitais serão utilizados para amalgamar toda a estrutura criada.
Roberto Andrés e Fernanda Regaldo
O bairro Jardim Canadá situa-se ilhado entre as margens de um parque natural, de uma mineração, de condomínios de classe média-alta e de uma importante rodovia de acesso à cidade de Belo Horizonte. Apesar de estar às bordas de um parque natural, sua relação com a natureza pode ser definida como a de um oásis invertido: ruas descampadas que almejam o progresso do asfalto, ausência de árvores nas ruas e nos lotes (excessão para a cerca verde entre o bairro e a mineração) – e uma única floricultura, voltada para os vizinhos. Se a localização do bairro, aos pés dos condomínios, pode aludir à idéia de um jardim cenográfico para os bairros ricos, sua aridez bruta e descuidada o joga inevitavelmente para os fundos: Quintal Canadá.
Pretende-se, com a residência artística, investigar e interferir nas relações entre a paisagem do bairro e seus habitantes. De que forma espaços contruídos e imaginados moldam e interferem na vida local? E de que forma as experiências do cotidiano, por sua vez, alteram esses espaços? Propondo primeiramente um levantamento do território, entendido como o “ambiente vivido” ou como ponto de intercessão entre habitantes e paisagem, o projeto é permeado por questões críticas relativas à estigmatização de territórios e às possibilidades de apropriação efetiva do espaço por aqueles que os ocupam. Propõem-se ações concretas sobre/no ambiente, visando (re)inseri-lo nas práticas e possibilidades de vivência cotidiana, assim como deslocá-lo no imaginário social local: a articulação de um jardim comunitário em um lote vago do bairro; a realização de cursos de paisagismo, entendendo o plantio e a produção de mudas como tecnologias; a realização de atividades culturais (exibição de vídeos e realização de palestras) dentro do jardim comunitário.
Grupo Passo (Aruan M.L. e Flávia R.)
O projeto de residência artística “Teto” se constitui no estudo de suportes urbanos propulsores de movimentos mecânicos e no desenvolvimento de estruturas cinéticas que utilizam esta energia em um processo de desencadeamento de novos fluxos. Este tem como objetivo principal constituir uma percepção crítica do espaço, levantando debates sobre o desenvolvimento urbano e cultural local.
“Teto” propõe intervenções diretas em galpões, marcando ritmos e movimentos temporários (ou fixos, conforme possibilidade de permanência) a partir dos exaustores de calor já existentes no local. Os exaustores serão utilizados para movimentar armações ópticas de projeção construídas de acordo com a tração própria destas estruturas. As imagens (slides fotográficos) exibidas/projetadas serão realizadas e manipuladas durante o período da residência artística a partir da investigação do fluxo e passagem local.
O presente projeto consiste na criação de um software para acesso em desktop programado essencialmente em openFrameworks capaz de acessar e processar fotografias recolhidas de um banco de imagens dinâmico, associando diversas imagens segundo parâmetros de manipulação predefinidos de forma a criar fotomanipulações decorrentes da associação de imagens determinadas pelo usuário ou quasi-randômicamente pelo aplicativo.
O principal critério que norteará a mesclagem das fotografias é a definição dos contornos de porções específicas de cada imagem a partir da análise de luminosidade, matiz e homogeneidade de grupos de pixel; reconhecendo-se os contornos, a imagem será cortada nas regiões determinadas e posteriormente combinada com outras para a criação das fotomanipulações.
A coleta das imagens que irão compor o banco de imagens inicial do projeto será feita através de derivas periódicas e temáticas realizadas no entorno do JA.CA abertas à participação do público local, cujas fotografias serão incorporadas no projeto.
O projeto “jardim roubado” trata de questões que circundam não somente o mundo da arte, mas qualquer atividade que se realiza sobre o mundo que concebemos. Este projeto se ramifica em outros projetos que podem, por sua vez, vir a ser ramificados sucessivamente. Cada fragmento deve ter a propriedade de ser visto isolado ou como parte de um todo fragmentado.
O artista elenca uma série de ações que darão início a um número indeterminado de situações, envolvendo o artista, o local e os habitantes do bairro:
1. RESIDÊNCIA
- Residir na área-comunidade em questão.
- Trabalhar com o que for descoberto na área, comunidade e região.
- Trabalhar com o que aprender com os outros que habitam a região.
2. FLORES SILVESTRES EM JARDINS URBANOS
- Identificar, fotografar ,coletar imagens, colecionar lugares desmatados e/ ou que sofreram erosão (antigos bosques ou “jardins” naturais de flores silvestres).
- coletar e colecionar “jardins japoneses” – áreas onde não mais existam vegetações nativas ou artificiais.
3. ROBIN WOOD GARDEN [JARDIN DE MADEIRA ROUBADA]
Roubar flores dos jardins dos aristocratas e/ou burgueses e replantá-las em possíveis jardins nos subúrbios e periferias de grandes metrópoles.
4. A POEIRA
- Coleção de rostos cobertos pela poeira e minério de ferro.
- Poeira de ferro sobre produtos finos.
ARTISTAS INTERNACIONAIS:
Gabriel Zea & Camilo Martnez (Colômbia)
são autores, juntamente com outros artistas, do projeto Berebere, por eles definido como um laboratório ambulante, cujo nome remonta á tribos nômades do Deserto do Sahara. Neste projeto os artistas propõem novas construções cartográficas, á partir da invenção engenhosa de máquinas coletoras de dados, que andam pelas ruas das cidades captando informações que serão posteriormente processadas e traduzidas em mapas audiovisuais e experimentais. Ao mesmo passo que as máquinas permitem uma leitura do espaço diferente da que estamos habituados, sua passagem pela cidade exige a presença real de seus propositores, gerando um conceito hibrido de percepção espacial. Os resultados coletados são organizados de forma visual e sonora pelos artistas gerando imagens, mapas, gráficos e texturas de som. Ainda tratando de percepção do espaço, podemos salientar uma certa condição performática das ações, onde muitas vezes estas máquinas ambulantes provocam a curiosidade do público passante. Experimentações semelhantes já foram propostas pelos artistas em Medelín, New York, Cartagena e Basel. Além dos dois artistas que estão residindo atualmente no JACA, o projeto Berebere conta ainda com a participação de Alejandro Duque.
Berglind desenvolve trabalhos que freqüentemente abordam as formas de utilização ou especulação relacionadas aos espaços públicos das cidades. O repertório da artista está diretamente relacionado a situações por ela vivenciadas em seu país de origem, a Islândia, onde também desenvolve trabalhos em colaboração com outros artistas. As obras de Berglind são um comentário crítico sobre sua percepção dos lugares, sobre as formas como são ocupados e os jogos de interesses que movimentam tais apropriações.
Durante o período de residência no JACA a artista, que já esteve outras vezes no Brasil, pretende desenvolver um trabalho sobre os contextos de ocupação da Praça da Liberdade. O trabalho é baseado no projeto Miðbaugur and Kringla desenvolvido em 2007, juntamente com mais 14 artistas nórdicos que promoveram um conjunto de pesquisas e reflexões sobre dois grandes centros de Raykjavik – o Shopping Center e o centro da cidade.
“Para o projeto no Brasil eu gostaria de trabalhar com algumas estratégias utilizadas no contexto do MK, analisando a qualidade dos espaços públicos em diferentes áreas de Belo Horizonte, sua finalidade e possíveis soluções para áreas específicas, olhando os lugares sob perspectiva local e estrangeira, refletindo sobre os pré-julgamentos e primeiras impressões.”
A artista, que em seu processo desenvolve colaborações com outros artistas, entidades, comunidades e instituições, também pretende criar estratégias de envolvimento do público em seu trabalho. “Uma de minhas idéias/estratégias para criar este diálogo envolve uma espécie de animação, algo capaz de conferir uma forma de vida para ícones da cidade – uma estátua, um prédio, uma região. O projeto envolve a produção de áudios onde o ícone tem a possibilidade de se reinventar ou redefinir seu papel, a partir de informações coletadas em pesquisas sobre sua história e seu status popular.”
Paralelamente á realização de seu projeto, a artista pretende também criar uma plataforma de discussão, colocando-se em condição de disponibilidade para com o público, seja promovendo conversas, participando de debates ou realizando ações performáticas.
Zach possui um processo de trabalho artístico que relaciona corpo, lugar, performance e identidades culturais. Interessa ao artista criar ou evidenciar intervalos, interrupções na forma como determinados aspectos culturais são apreendidos pelas pessoas. Para Zachary, as performances que realiza nos mais diferentes lugares de uma cidade são formas de mapear o espaço, de criar relações com o público ou mesmo de tencionar certos limites ou fronteiras de tais relações. A documentação de algumas destas ações contribuem também para a criação de novas obras em áudio e vídeo, que podem vir a ser apresentadas em outros contextos.
Em uma das propostas encaminhadas ao JACA, o artista manifesta o desejo de trabalhar em colaboração com jovens da comunidade local, produzindo workshops que abordam a escrita como meio de expressão estabelecendo conexões com os sistemas de publicidade urbana. Desta forma, assim como outdoors ou pôsteres, os textos produzidos a partir desta experiência poderiam ganhar a dimensão do espaço urbano, sendo projetados sobre a cidade.
![isabela_prado1[1]](http://jacaarte.org/wp-content/uploads/2010/08/isabela_prado11-485x322.jpg)







